TERRA DO NADA
Venho da Terra do Nada
Para a terra que nada
dá
E com ajuda da enxada
Comecei a capinar
Terra pequena, quase
nada
Tratei logo de adubar
E numa labuta danada
De tudo comecei plantar
Plantei café e
manga-ada
E também maracujá
Sou um guerreiro sem
espada
Que luta sem se
machucar
Hoje canto em toada
De alegria que me dá
Pois a terra que não dá
nada
De tudo começou a dar
Quando chegou a
queimada
Triste eu fiquei de cá
Pensando que da terra
amada
Só cinzas iriam ficar
O fogo lambia a cerra
Bem pertinho do meu
lugar
Sofri com aquela guerra
Que não tive como lutar
A mata se acabou
A água começou a esquentar
Tudo o fogo levou
Mas deixou o meu lugar
Vendo a mata devastada
Tento o rio reflorestar
O que faço é quase nada
Mas não deixo de lutar
Dou um boi, dou uma
boiada
Só pra ter com que
sonhar
Só pra ter árvores
plantadas
Onde cante o sabiá
Dizem que eu sou um
nada
Que tudo que faço é
sonhar
Fiquei entre a cruz e a
espada
Mas não deixei de
retrucar
Minha terra não tem
palmeiras
Mesmo assim posso
plantar
Pois já tenho as
bananeiras
E também o sabiá
Não critiquem um
sonhador
Pois meu sonho plantei
um dia
Não é quimera nem
fantasia
Sou um Dom Quixote
Lavrador.
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