sexta-feira, 10 de abril de 2015

TERRA DO NADA


Venho da Terra do Nada
Para a terra que nada dá
E com ajuda da enxada
Comecei a capinar

Terra pequena, quase nada
Tratei logo de adubar
E numa labuta danada
De tudo comecei plantar

Plantei café e manga-ada
E também maracujá
Sou um guerreiro sem espada
Que luta sem se machucar

Hoje canto em toada
De alegria que me dá
Pois a terra que não dá nada
De tudo começou a dar

Quando chegou a queimada
Triste eu fiquei de cá
Pensando que da terra amada
Só cinzas iriam ficar

O fogo lambia a cerra
Bem pertinho do meu lugar
Sofri com aquela guerra
Que não tive como lutar


A mata se acabou
A água começou a esquentar
Tudo o fogo levou
Mas deixou o meu lugar


Vendo a mata devastada
Tento o rio reflorestar
O que faço é quase nada
Mas não deixo de lutar


Dou um boi, dou uma boiada
Só pra ter com que sonhar
Só pra ter árvores plantadas
Onde cante o sabiá

Dizem que eu sou um nada
Que tudo que faço é sonhar
Fiquei entre a cruz e a espada
Mas não deixei de retrucar

Minha terra não tem palmeiras
Mesmo assim posso plantar
Pois já tenho as bananeiras
E também o sabiá

Não critiquem um sonhador
Pois meu sonho plantei um dia
Não é quimera nem fantasia
Sou um Dom Quixote Lavrador.  


 (Valdir Carvalho Ribeiro)


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