sexta-feira, 10 de abril de 2015

ERRANDO ENTRE ERROS

Espalho entre palavras errantes
Uma errante história de erros e dor
Transcrevo, da vida, pequenos instantes
De tormentas, glórias, sonhos e amor

As palavras vivas e errantes
Correm ao papel qual formiga à flor
Contrastando lutas de um gladiador
que marcha sozinho (pobre infante)

Vai em busca do néctar adoçante
Da mais bela e açucarada flor
Guiado por um coração errante
De um amante amador

Mas o caminho desse sonhador
Quem molda é a caneta deslizante
Que entre as palavras (elite errante)
Prende as angústias de um trovador.


(Valdir Carvalho Ribeiro)


TERRA DO NADA


Venho da Terra do Nada
Para a terra que nada dá
E com ajuda da enxada
Comecei a capinar

Terra pequena, quase nada
Tratei logo de adubar
E numa labuta danada
De tudo comecei plantar

Plantei café e manga-ada
E também maracujá
Sou um guerreiro sem espada
Que luta sem se machucar

Hoje canto em toada
De alegria que me dá
Pois a terra que não dá nada
De tudo começou a dar

Quando chegou a queimada
Triste eu fiquei de cá
Pensando que da terra amada
Só cinzas iriam ficar

O fogo lambia a cerra
Bem pertinho do meu lugar
Sofri com aquela guerra
Que não tive como lutar


A mata se acabou
A água começou a esquentar
Tudo o fogo levou
Mas deixou o meu lugar


Vendo a mata devastada
Tento o rio reflorestar
O que faço é quase nada
Mas não deixo de lutar


Dou um boi, dou uma boiada
Só pra ter com que sonhar
Só pra ter árvores plantadas
Onde cante o sabiá

Dizem que eu sou um nada
Que tudo que faço é sonhar
Fiquei entre a cruz e a espada
Mas não deixei de retrucar

Minha terra não tem palmeiras
Mesmo assim posso plantar
Pois já tenho as bananeiras
E também o sabiá

Não critiquem um sonhador
Pois meu sonho plantei um dia
Não é quimera nem fantasia
Sou um Dom Quixote Lavrador.  


 (Valdir Carvalho Ribeiro)


quinta-feira, 9 de abril de 2015

RAZÕES PARA FICAR


Se eu te pedir pra ficar, fica
Não dê corda pro que eu falo
Não “dê linha na pipa”

Se eu te pedir pra ficar, fica
Não bata o pé
Não faça birra

Se eu te pedir pra ficar, fica
Nem que por mais um instante
Nem que a prosa se repita
Nem que o meu canto não te encante

Se eu te pedir pra ficar, fica
Mas, se você tiver que ir...
Me leve contigo.


(Valdir Carvalho Ribeiro)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

DA JANELA DO MEU QUARTO.
           
            Da janela do meu quarto, vejo pessoas comuns passando pela rua. Às vezes pergunto a mim mesmo: o que será que elas pensam? O que elas gostam de comer? Quais músicas elas gostam de ouvir? Ou quais são seus maiores sonhos? Bem, realmente nunca terei a resposta certa para nenhuma destas perguntas, mas, uma coisa eu posso assegurar que eu sei, estas pessoas são pessoas comuns, como você e eu. Então, começo a procurar diferenças entre estas pessoas e eu, pois, a partir dali, eu não mais me considerava como uma pessoa comum. Afinal de contas, eu era a única pessoa que eu conseguia imaginar quando eu tentava pensar sobre alguém que se depararia na janela de seu próprio quarto pensando em como é a vida das pessoas que passam pela rua da frente. Fiquei pensando se, assim como eu, elas já quiseram ser diferente por algum motivo – Já houve tempos em que eu quis ser diferente pelo simples fato de eu querer ter as coisas que maioria das pessoas tinham. Foi aí que percebi que os meus anseios não faziam o menor sentido, pois não haveria sentido algum em me tornar diferente somente para satisfazer o propósito único de me assimilar à maioria das pessoas.
            Da janela do meu quarto, sinto-me como um mago que vigia atônito pelo seu portal multidimensional. Por esse portal, eu vejo pessoas que riem e que choram pessoas que chegam e que se vão e, às vezes, não vejo ninguém. Sei que todas estas cenas são muito normais e comuns, pois estou observando a vida de pessoas comuns. O que eu não sei ao certo é porque continuo a chamá-las de pessoas comuns. Acho que talvez seja só meu subconsciente tentando, de alguma forma, me convencer de que não sou comum, de que eu tenho algo de especial.  Já houve tempos em que eu pensei que eu poderia ser um escritor, ou melhor, um poeta – não que eu duvide disso agora, mas, no momento, isto não é relevante e nem tampouco vem ao caso. Na verdade, eu acreditava que coisas como a amizade e o amor seriam maiores e mais emocionantes quando passados para pedaços de papel e lançados aos quatro cantos do mundo – também sei que isto não é de tudo, mentira – mas, mesmo assim, percebo que eu me enganava uma vez mais. A amizade e o amor são dois sentimentos fortíssimos e, em tal condição, vivenciá-los é a melhor maneira de exaltá-los o mais alto possível. Vivenciar... Acho que este é o ponto onde quero chegar.
            Sei que muitos irão pensar que sou somente um tresloucado imaginando como é a vida das pessoas que passam em frente a minha janela, ou que outros chegarão, até, ao atrevimento de dizer que sou um desempregado que fica observando a vida alheia. Mas, o fato é que, foi pelas pequenas janelas dos quartos que já vivi que eu percebi que existe vida lá fora. O mundo é tão grande que não cabe em si e meu coração agora é nômade. 



(Valdir Carvalho Ribeiro)




segunda-feira, 6 de abril de 2015


Ontem eu vi a lua nascer
Apreciei o espetáculo de um renascer...
Diante daquela esplêndida imagem, uma explosão acontecia no meu ser
Era uma mistura de emoção, euforia, contentamento e sentimentos
Era paz, alegria e frescor
Senti a o verdadeiro êxtase do Amor!

  Quando te senti pela primeira vez no meu ventre, transbordei-me de paz e senti um amor diferente de todos os quais já havia experimen...