quarta-feira, 8 de abril de 2015

DA JANELA DO MEU QUARTO.
           
            Da janela do meu quarto, vejo pessoas comuns passando pela rua. Às vezes pergunto a mim mesmo: o que será que elas pensam? O que elas gostam de comer? Quais músicas elas gostam de ouvir? Ou quais são seus maiores sonhos? Bem, realmente nunca terei a resposta certa para nenhuma destas perguntas, mas, uma coisa eu posso assegurar que eu sei, estas pessoas são pessoas comuns, como você e eu. Então, começo a procurar diferenças entre estas pessoas e eu, pois, a partir dali, eu não mais me considerava como uma pessoa comum. Afinal de contas, eu era a única pessoa que eu conseguia imaginar quando eu tentava pensar sobre alguém que se depararia na janela de seu próprio quarto pensando em como é a vida das pessoas que passam pela rua da frente. Fiquei pensando se, assim como eu, elas já quiseram ser diferente por algum motivo – Já houve tempos em que eu quis ser diferente pelo simples fato de eu querer ter as coisas que maioria das pessoas tinham. Foi aí que percebi que os meus anseios não faziam o menor sentido, pois não haveria sentido algum em me tornar diferente somente para satisfazer o propósito único de me assimilar à maioria das pessoas.
            Da janela do meu quarto, sinto-me como um mago que vigia atônito pelo seu portal multidimensional. Por esse portal, eu vejo pessoas que riem e que choram pessoas que chegam e que se vão e, às vezes, não vejo ninguém. Sei que todas estas cenas são muito normais e comuns, pois estou observando a vida de pessoas comuns. O que eu não sei ao certo é porque continuo a chamá-las de pessoas comuns. Acho que talvez seja só meu subconsciente tentando, de alguma forma, me convencer de que não sou comum, de que eu tenho algo de especial.  Já houve tempos em que eu pensei que eu poderia ser um escritor, ou melhor, um poeta – não que eu duvide disso agora, mas, no momento, isto não é relevante e nem tampouco vem ao caso. Na verdade, eu acreditava que coisas como a amizade e o amor seriam maiores e mais emocionantes quando passados para pedaços de papel e lançados aos quatro cantos do mundo – também sei que isto não é de tudo, mentira – mas, mesmo assim, percebo que eu me enganava uma vez mais. A amizade e o amor são dois sentimentos fortíssimos e, em tal condição, vivenciá-los é a melhor maneira de exaltá-los o mais alto possível. Vivenciar... Acho que este é o ponto onde quero chegar.
            Sei que muitos irão pensar que sou somente um tresloucado imaginando como é a vida das pessoas que passam em frente a minha janela, ou que outros chegarão, até, ao atrevimento de dizer que sou um desempregado que fica observando a vida alheia. Mas, o fato é que, foi pelas pequenas janelas dos quartos que já vivi que eu percebi que existe vida lá fora. O mundo é tão grande que não cabe em si e meu coração agora é nômade. 



(Valdir Carvalho Ribeiro)




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