Longe de casa,entre livros, papéis, e pequenas doses de café
Nesta tarde fria, por um instante o desatino,
Aos poucos me entorpeço de poesia
E levanto para ver a luz do dia
E que surpresa! A janela aberta já trazia
Uma aquarela, que recobre a miopia
um misto de raios de sol, bandeirolas, balões e alegria!
é São João e eu nem sentia
No decorrer das horas, dos dias e dos meses eu me perdia
Como é bom, neste momento, observando aquele balão
retalhos de vida costuram meu coração
A nostalgia daquelas noites de São João
Revivo a infância adormecida
E aos poucos, sinto cheiro de canjica, de milho e amendoim
da quadrilha da escola e do bolo de aipim
da fogueira de painho, do licor de mainha
do quentão e do caldo preparado pela vizinha
O xote e o forró, a casa de vovó...
Recordar é viver
Viver não é existir
Sentir é Ser, o que foi, o que é, e o que está por vir
Assim, a tarde fria me aqueceu,os papéis ganharam forma
As pequenas doses de café, uma alquimia
e o meu ser agora, embriagado de energia
... Longe de casa, entre livros, papéis escritos e pequenas doses de café
Nesta tarde quente, por um instante a harmonia
Aos poucos me envolve novamente a alegria.