Seria uma negação se te dissesse que não lembrei de nós quando abrir aquele caderninho de segredos da adolescência e vi o seu nome criptografado daquele jeito que eu escrevi, de uma maneira que só eu sabia.
Seria uma mentira se eu afirmasse que não era proposital todas as vezes que eu mudava de rota à caminho de casa e cruzava a sua estrada para te ver pelo menos um segundo do meu dia.
Eu seria muito hipócrita em concordar com as pessoas que você não era aquilo tudo que eu pensava ou que eu imaginei... Mas pra mim você foi, pelo menos um terço do meu dia você foi!
Tenho que admitir que pra mim você foi quase tudo. Até porque eu esqueci de quem eu era pra poder viver você, pra poder te entender... Pra sentir apenas um pouquinho de você.
Eu me refazia em lágrimas e uma angústia no meu peito ardia, simplesmente porque eu era tão frágil que nem eu mesma me notava, mas eu era capaz de escrever em um outdoor aquela frase " Me olha, eu estou aqui"! e mesmo que eu não assinasse embaixo, eu e você sabíamos que era pra você.
Na verdade, a gente tinha uma certa telepatia na qual não precisávamos dizer muita coisa para outro, já nos entendíamos tão naturalmente. Os nossos corpos por si só já nos dizia, e nós sabemos muito bem disso... E como sabemos!
Eu acredito que tínhamos tudo para viver aquela história de amor de cinema mesmo. Possuíamos aquela intensidade narrada nos livros de romances, tínhamos... Nós tínhamos tudo...
Talvez se ao invés de eu chorar escondida e tivesse chorado na sua frente você pelo menos enxugaria as minhas lágrimas.
Se eu tivesse dito para você mesmo o que eu dizia de ti para as outras pessoas, você teria me compreendido.
Se eu tivesse te dado a atenção que me cobrava, se me poupasse um pouco dos meus amigos para estar com você...
Se não desconfiasse tanto do que me dizia, mesmo quando você entrava em contradição.
Quem sabe se tivesse tido a sensibilidade de olhar nos seus olhos e te dizer que estaria sempre ao seu lado, de um jeito ou de outro...
Enfim... Se eu tivesse entendido que o problema era meu, e que eu precisava estar inteira para te aceitar inteiro também, eu teria evitado ser a sua metade, de acreditar e de te fazer acreditar que não podíamos viver sem o outro.
Essa nossa história poderia ter sido do jeito que idealizamos se soubéssemos primeiro o que era o amor de verdade, se desfrutássemos da capacidade de compartilhar o amor e tudo de bom que tínhamos para oferecer um ao outro.
Mas éramos apenas almas desnorteadas buscando um no outro o motivo da sua existência...
Éramos um só ser!

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